As últimas fichas de Obama

Publicado: 2012/11/03 em Posts

A campanha americana pegou fogo. Na internet e redes sociais conservadores e progressistas travam uma verdadeira guerra. Usando muita informação, mas também desinformação. Como a foto que ilustra esse post, roubada de um site que acusa Obama de ter feito apologia às drogas na juventude. É daí para baixo. Vale inclusive apelar para estrelas de Hollywood. Romney conta com o apoio de Clint Eastwood, e o presidente com Samuel Jackson, que gravou o último spot da campanha democrata – um vídeo pra lá de provocador. Apesar do empate nas pesquisas, dificilmente os democratas perdem nos estados considerados decisivos nesse estranho modelo de sufrágio que são EUA. Sorte para 99% dos americanos, e pra nós aqui no Brasil. Um governo republicano seria catastrófico para a América Latina: na base de apoio de Romney está o Tea Party cujo discurso prega o endurecimento da política imigratória, a ruptura com os governos de esquerda da região e uma política econômica liberal que poderia afundar o mundo ainda mais na crise. Publicações de peso como o Washington Post e a The Economist acabam de anunciar o seu apoio à reeleição. O blog Outra Economia, neste editorial, também oficializa a torcida por Obama, e diz não aos políticos de direita que só pensam em governar para o 1% mais rico da população!

Pedro Chadarevian

Por Pedro C. Chadarevian

O recrudescimento da crise econômica global tem deixado em segundo plano os resultados das mais recentes missões espaciais em andamento no sistema solar.  A importância e o impacto destas missões tocam, no entanto, em questões centrais tanto do ponto de vista da consolidação das potências hegemônicas atuais e futuras, como também sob a ótica das descobertas científicas que podem mudar completamente o nosso entendimento sobre a origem e desenvolvimento da vida em nosso planeta. O anúncio da existência de vida em Marte parece ser uma questão de tempo, e terá um efeito bombástico para uma nova era de missões espaciais, agora apoiada em altíssima tecnologia, o que fará parecer amadores os pioneiros astronautas do século XX.

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15/06/2012 | Pedro Chadarevian | Opera Mundi

by Pedro C. Chadarevian

Não fosse pela palavra ‘superior’ no título, muitos pensariam que o artigo trataria do tradicional clichê do investimento em capital humano como forma crescer em um mundo globlalizado e altamente competitivo. Durante muito tempo, os economistas responsáveis por popularizar a teoria do capital humano convenceram as autoridades públicas que o único gasto indispensável do governo em educação era nos seus segmentos básicos. Esta é uma teoria originalmente conservadora, que surgiu nos anos 1960, nos EUA, quando se faziam urgentes argumentos “científicos” para fazer frente ao avanço do Estado na economia. Hoje esta crença parece, em boa medida, superada. Dentre as 30 maiores economias do mundo, as que mais cresceram na década passada são também as que mais investiram em seu sistema universitário. E o top ten desta lista está dominado por nações emergentes como China (1º), Índia (3º) e Brasil (5º). Muitos poderão argumentar que este é um processo natural: quando as economias crescem, os investimentos fluem para diferentes setores, incluindo o da educação superior. Mas isto é não reconhecer que um número crescente de graduados representa uma maior qualificação dos trabalhadores, elevando assim a eficiência da economia no longo prazo.

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Lições do tsunami financeiro

Publicado: 2012/03/19 em Imprensa

13/03/2012 – Opera Mundi | Pedro Chadarevian | São Paulo

by Carl Barks

É precisa a avaliação econômica da presidente Dilma Rousseff a respeito dos equívocos na estratégia de saída da crise global por parte dos países avançados. Não há de fato nenhuma garantia que inundar o sistema financeiro de dinheiro trará a economia de volta ao crescimento. Como mostrou Lord Keynes tempos atrás, quando a taxa de juros é muito reduzida os instrumentos de política monetária se tornam irrelevantes. É a situação que ele batizou de armadilha da liquidez.

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Pedro Chadarevian | Bogotá | Opera Mundi, 15/01/2012.

by Pedro C. Chadarevian

Em ‘A hora má: o veneno da madrugada‘, Gabriel García Márquez descreve, com a destreza costumaz de seu estilo realista fantástico, a história de um vilarejo perdido da costa caribenha amedrontado pela aparição de misteriosos panfletos anônimos com revelações inconvenientes sobre a vida dos moradores, detonando em seguida uma escalada de terror e violência. Ao deparamos com os últimos acontecimentos da Colômbia, nos damos conta que o realismo de Gabo nada possui de fantástico.

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Pedro Chadarevian | São Paulo | Opera Mundi, 03/09/2011.

by W. S. Jevons

A pior crise capitalista em décadas não deixa rastros apenas na crescente instabilidade dos mercados, na falência de Estados e na tragédia de milhões de famílias arruinadas pelo desemprego. Ela acaba de fazer uma última vítima inesperada: a Ciência Econômica.

O discurso econômico dominante que remete a um mundo da fantasia em que prevalecem relações sociais harmoniosas e perfeita racionalidade dos “agentes”, onde o poder de mercado e as diferenças de classe são inexistentes, está sofrendo um ataque jamais antes visto.

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by Pedro C. Chadarevian

Rede de Comunicação dos Bancários
Clara Quintela, Evando Peixoto e Júnior Barreto

O trabalhador negro é o último a ser contratado e o primeiro a ser demitido. A afirmação é do professor de Economia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Pedro Chadarevian, no painel sobre Igualdade de Oportunidades, que deu início aos trabalhos da 13ª Conferência Nacional dos Bancários. A pesquisa mostra o impacto da ação dos movimentos sindicais e sociais na luta contra as desigualdades. “A ação sindical tem sido fundamental para reduzir os mecanismos de discriminação que estão presentes no mercado de trabalho”, afirma.

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Valor Econômico, 06/06/2011.

Duras críticas a Paulson e a defesa da reforma do setor financeiro. Por Pedro C. Chadarevian

by Valor Econômico

Christine Lagarde, primeira mulher no Ministério da Economia francesa e a mais longeva no cargo, destoa visivelmente no gabinete do presidente francês Sarkozy. Ponderada, tomou distância das polêmicas e abusos do governo em sua estratégia mediática para conquistar simpatizantes da extrema-direita. Autodenominada “liberal moderada”, não esconde o descontentamento em relação à atual ordem financeira internacional. Sua candidatura à presidência do Fundo Monetário Internacional (FMI) em meio à saída turbulenta de Dominique Strauss-Kahn é uma inteligente estratégia de recuperação da legitimidade da instituição, que, com uma mulher no comando, responderia às crescentes acusações de machismo da direção.

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| Pedro Chadarevian | Paris | Especial para o Opera Mundi

by Pedro C. Chadarevian

Encoberto sob o “véu” dos valores republicanos, o mito da diversidade francesa se dirige para uma encruzilhada. A extrema-direita desponta mais forte e perigosa do que nunca como opção eleitoral (Marine Le Pen investe na imagem de “Paz e Amor”); a Primavera Árabe, em estágio de impasse, coloca a questão migratória na Europa no olho do furacão, tornando-se como moeda de troca na formação de governo e incitação à xenofobia em debates eleitorais; o governo Sarkozy desponta como um dos artífices para delimitar a livre circulação de pessoas no Espaço Schengen; a crise econômica e o desemprego parecem estar longe de serem efetivamente combatidos.  De fato, a diversidade está longe de ter, em solo francês, e mesmo europeu, um peso similar aos três preceitos que passaram a caracterizar a sociedade moderna desde 1789.

Para abordar essa realidade e a possível desconstrução desse mito, o sociólogo franco-argelino El Yamine Soum, 32 anos, especialista em temas relacionados à diversidade e etnicidade foi entrevistado pelo professor de Economia da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) Pedro Chadarevian, que colaborou com Opera Mundi. Também especializado em questões raciais no mercado de trabalho, outros artigos e intervenções de Chadarevian podem ser encontrados em seu blog  Outra Economia.

Soum é professor de Relações Internacionais no Instituto Internacional do Pensamento Islâmico em Paris. Ele também tem uma série de publicações em livros na França, Espanha, EUA e México. Também é co-autor, ao lado do sociólogo francês Vincent Geisser (Discriminar para melhor Reinar, em português), de um livro sobre a diversidade na política. É figura carimbada em intervenções na mídia e em conferências relacionadas ao tema. Trabalha também para programas de cooperação na área patrimonial e de turismo com vários países, entre eles: Mali, Chile e Vietnã.

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O blog Outra Economia inaugura uma nova seção, de entrevistas exclusivas, com pesquisadores interessados na crítica ao status quo, e em apontar novos caminhos para organizar a sociedade e a economia. Marcelo Milan, do departamento de Economia da UFRGS, e professor visitante na Universidade de Wisconsin (EUA),  discute aqui a rebelião popular contra o neoliberalismo em um remoto estado norte-americano, mas que tem impactos importantes tanto do ponto de vista eleitoral bem como em relação à real participação da sociedade nas decisões de política econômica desse país.

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Jornal Cruzeiro do Sul. Sorocaba, 07/03/11. Por: Cida Vida.

by Bruno Cecim/ Arquivo JCS

A evolução do salário mínimo – que cresceu 72% no governo Lula -, o aumento do consumo interno (chave da aceleração econômica), o controle da inflação e a aplicação de políticas anticíclicas, como a ampliação do seguro-desemprego e a redução de impostos diretos e indiretos (Imposto Sobre Produtos Industrializados-IPI, por exemplo), são apontados como fatores determinantes para o crescimento econômico brasileiro nos últimos anos, pelo professor Pedro C. Chadarevian, do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), campus de Sorocaba. “Se o Brasil continuar crescendo no ritmo atual será a 5ª economia do mundo nos próximos 5 anos”, analisa.

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El fin del subdesarrollo

Publicado: 2010/11/14 em Imprensa

A la memoria de Néstor Kirchner (1950-2010).

by Pedro C. Chadarevian

Después de un largo intervalo de tiempo, el mundo vuelve otra vez a prestar atención en América Latina. No porque finalmente las fórmulas económicas del Banco Mundial y del FMI hayan permitido la estabilidad de la moneda, y menos porque los gurús de los gobiernos de EE.UU y Unión Europea se feliciten del pacto social regional y externo que se articula a partir del subcontinente. Lo que atrae a docenas de periodistas internacionales a un debate entre candidatos a la presidencia de Brasil, o lo que hace con que el gobierno de Venezuela sea citado alrededor del planeta por sus ideas y no por la conducta política desastrosa de un pasado ahora distante, es la posibilidad concreta de un cambio económico en la región. Un cambio que ha sido gestado desde hace 200 años, con los primeros éxitos de los movimientos de independencia en Haití y América del Sur, pero que se ha interrumpido constantemente por afectar los intereses de las naciones más desarrolladas.

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by Pedro C. Chadarevian (capturado da internet)

 

O retorno da direita à presidência do país representaria um terrível retrocesso em relação à situação de prosperidade econômica e social destes últimos anos no Brasil. A se julgar pela experiência de governo tanto da era FHC (1995-2002) quanto da gestão econômica no maior estado do país, que completará duas décadas em mãos da coligação conservadora (PSDB-DEM), e, sobretudo, as declarações de ideólogos do programa econômico de José Serra, não seria nenhuma previsão catastrófica supor que a economia brasileira retornaria ao quadro de estagnação de anos atrás.

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Um Estado “antissocial”?

Publicado: 2010/09/17 em Imprensa

by Diego Padgurschi/FOLHA IMAGEM

Livro de Adalberto Cardoso traz contribuição importante para o estudo das desigualdades, mas ignora papel da elite.
Por Pedro C. Chadarevian, para o Valor, de São Paulo

A Sociologia vem, nos últimos anos, conquistando terreno em um campo de análise habitualmente dominado por economistas no Brasil: os estudos da pobreza e da desigualdade. O primeiro ato deste movimento foi a incorporação de técnicas próprias à Economia por parte de autores da chamada sociologia econômica, como a econometria e o recurso ao individualismo metodológico. Mais recentemente, é na perda de credibilidade dos prognósticos de economistas do paradigma dominante que se deve buscar a explicação para esta renovação do interesse pela interpretação sociológica dos fenômenos ligados à distribuição do excedente produtivo. É neste contexto epistemológico que se insere o mais novo livro de Adalberto Cardoso, pesquisador do prestigiado Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), organismo ainda há pouco vinculado à Universidade Cândido Mendes, e atualmente abrigado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A empreitada é ambiciosa: brindar ao público acadêmico uma interpretação global da evolução da percepção social da desigualdade no Brasil nos últimos 150 anos. O resultado fica, porém, aquém das expectativas do leitor, que, no entanto, poderá se entusiasmar ao folhear especialmente a introdução.

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by Pedro C. Chadarevian

O ano de 2010 ficará marcado como o maior recuo das forças conservadoras no Brasil. A direita, carente de projeto nacional, deverá se contentar com alguns grotões de resistência: uma certa influência no Sul e no Sudeste, o controle de regiões do sertão onde ainda predomina o coronelismo, e, evidentemente, a parcela que lhe toca no comando das políticas monetária, agrária e ambiental. Não é pouca coisa, claro. Mas, ainda assim, é notório que os representantes dos interesses mais retrógrados estejam a ponto de se tornar minoria tanto no Congresso Nacional, como no controle dos governos.

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by Pedro C. Chadarevian

Em trabalho que venho desenvolvendo em parceria com José Marcos N. Novelli, e que acaba de ser disponibilizado no site da Association for Heterodox Economics, procuramos avaliar criticamente a natureza das transformações recentes no país e os fatores que explicam a impressionante recuperação econômica pela qual atravessa o Brasil em 2010. O discurso do governo brasileiro, disseminado por todo o mundo em convenções internacionais em seguida ao advento da crise global ao final de 2008, sugere um novo posicionamento diante da necessidade de maior eficiência dos mecanismos regulatórios dos mercados financeiros. A retórica oficial aponta acima de tudo para o retorno de uma participação direta do Estado no planejamento econômico e para uma crítica das políticas pró-mercado, em que o Brasil ocupa um lugar estratégico e de liderança. Sustentamos, porém, nesse artigo, que as medidas anunciadas até aqui pelo governo brasileiro para combater a crise – como liberação de crédito, incentivos fiscais e a extensão do seguro desemprego – não representam nem uma revisão inspirada pelo keynesianismo no modelo capitalista do país, nem uma ruptura com o neoliberalismo. Na verdade, elas sinalizam para a particularidade do caso brasileiro: um tipo de neoliberalismo reformado.

Para ler o artigo, clique aqui.

Que congressistas e governantes adotem políticas que coloquem o país na direção da justiça racial
Pedro C. Chadarevian, para o Valor Econômico, de 13/07/2010.

by Pedro C. Chadarevian

Os movimentos sociais assistem, no início deste novo milênio, a um recuo generalizado no Brasil. É o resultado natural da ligeira melhora na qualidade de vida dos trabalhadores, e de um sentimento de maior representatividade nas esferas de decisão política regional e federal. Neste ambiente de aparente paz social, destaca-se a articulação de um novo movimento. Sua natureza é, contudo, profundamente conservadora. Sua bandeira: a oposição irrestrita às políticas de ações afirmativas para afrodescendentes.

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O mundo de chuteiras

Publicado: 2010/06/28 em Posts

by Pedro C. Chadarevian (e TV Bandeirantes)

A José Saramago, um combatente da democracia econômica.

Futebol e política têm tudo a ver. Ou melhor, futebol e sociedade. Sempre foi assim. Em 1950, quando Barbosa, o goleiro negro, injustamente responsabilizado pela derrota, frustrou as expectativas daquela metade de nossa população que lutava, e ainda luta, contra a discriminação racial. Em 1970, quando os canarinhos se viram envolvidos em uma relação ambígua com a ditadura – pelo bem, e pelo mal. Mais recentemente, predomina a eficiência pela eficiência como estratégia técnica de boa parte das seleções. O que não deixa de remeter ao discurso econômico dominante.

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Por Pedro C. Chadarevian, para o Valor, de São Paulo
25/05/2010

by Pedro C. Chadarevian

Como os Estados Unidos se tornaram a economia mais desigual entre os países avançados? A resposta que Paul Krugman propõe para essa questão – e que fornece o fio condutor de seu último livro lançado no Brasil – é surpreendente. Contrariando os dogmas da teoria econômica dominante, Krugman sustenta que a tendência dos últimos 30 anos de aumento na disparidade de salários e de concentração de riqueza em mãos de executivos e rentistas deve-se não a uma evolução natural da economia, mas a fatores estritamente políticos. Mais especificamente, à conquista do Estado por parte do braço mais conservador do Partido Republicano, a partir da eleição de Ronald Reagan em 1980.

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Relato de uma França ocupada ( II )

Publicado: 2010/04/17 em Posts

by Pedro C. Chadarevian


A derrota da direita francesa nas eleições regionais de março é expressão da crescente insatisfação popular com o programa neoliberal de Sarkozy. Ainda que o pleito tenha se polarizado entre a direita gaulista e o social-liberalismo do Partido Socialista, chama a atenção o retorno da esquerda radical.

Pela primeira vez em muito tempo, um de cada dez franceses votou por uma plataforma abertamente anti-capitalista, reivindicada por um conjunto crescente de partidos e organizações populares no país.

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Recuperação econômica e atraso

Publicado: 2010/03/23 em Posts

by Valor Econômico

Valor Econômico, 23/03/2010.

O grande negócio das eleições resulta em uma injeção recorde de recursos.
Por Pedro C. Chadarevian.

Não restam mais dúvidas que a economia brasileira está entre as que mais se destacam na atual conjuntura de recuperação econômica pós-crise financeira global. Seria perda de tempo esforçar-se em provar o contrário. Exceção feita à China, que não entrou em recessão, o Brasil é a economia que mais rapidamente se recupera, no seleto grupo das dez maiores potências do planeta. Esta conjuntura excepcional – a previsão é de expansão de até 5% em 2010 – tem causado verdadeira euforia entre os representantes de multinacionais instaladas no país. Apesar da redução nos investimentos, o Brasil manteve um nível elevado nas vendas, e não sofreu o temido aumento na inadimplência, garantindo assim a retomada de margens significativas nos negócios.

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Relatos de uma França ocupada ( I )

Publicado: 2010/03/17 em Posts

by Pedro C. Chadarevian

Campos de concentração. Perseguição e expulsão de imigrantes. Livre veiculação das teses da supremacia branca. Fechamento de canais de mídia popular democráticos. Que país é esse? A França…, de Nicolas Sarkozy. Que apenas em um outro momento de sua história republicana, durante a ocupação nazista, esteve tão distante de seus valores fundadores: igualdade, liberdade e fraternidade.

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Para onde vai a América?

Publicado: 2010/02/21 em Posts

by Pedro C. Chadarevian

Um editorial do New York Times atacando o plano de privatização de setores da NASA (a agência espacial americana) anunciado pelo governo. A sempre simpática ao presidente Obama The New Yorker criticando violentamente as inteções privatistas de seu ministro da educação. A pró-democrata The Nation repudiando os Chicago-boys que seguem no comando da equipe econômica dos EUA. Seriam estas indicações que o retorno do partido democrata ao governo dos EUA dificilmente representará uma oposição radical em relação ao seu predecessor? É o que sugere o balanço do primeiro ano de Obama no poder. A manutenção dos mesmos responsáveis pela política econômica e pela política externa da era Bush, e o anúncio de medidas de conotação neoliberal na política educacional, parecem afastar a possibilidade de mundança consistente. Ainda assim, a necessidade de se legitimar com o eleitorado de classe média tem levado o governo a anunciar novas orientações nas políticas de bem-estar. Qualquer alteração, ainda que ligeira, no quadro das desigualdades da maior potência do planeta pode ser decisiva para a evolução do capitalismo pós-crise financeira global. Porém, as chances disto ocorrer dependerão de um complexo embate entre forças conservadoras e o crescente sentimento nacionalista em prol das reformas sociais discutidas no último período eleitoral.

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Todos ganham, eis a contradição

Publicado: 2010/02/11 em Imprensa


Tudo indica, neste início de 2010, que a campanha presidencial irá opor os balanços de governo de Fernando Henrique Cardoso e de Luiz Inácio Lula da Silva. O eleitor mais esclarecido vem tendo, no entanto, dificuldade de escapar das leituras puramente apaixonadas a favor de um ou de outro campo. É esta lacuna que o último livro de Marcio Pochmann busca preencher, ao fornecer um amplo leque de argumentos em defesa da superioridade da herança econômica da “era Lula”.

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by Pedro C. Chadarevian

A Universidade pública, livre de interesses egoístas, escusos, e da dominação de grupos que se impõem pela ameaça de sua autoridade, é um sonho ainda distante no Brasil. O que não deve abalar aqueles que lutam pela sua independência, pela excelência na formação e pela participação efetivamente democrática do conjunto dos membros da comunidade acadêmica. É na defesa destas bandeiras, e apesar de interesses poderosos ali constituídos, que aceitei o desafio de me lançar ao cargo de vice-diretor na UFSCar-Sorocaba. O processo sucessório, em andamento no momento em que escrevo, tem se pautado, infelizmente, pela postura antiética de uma minoria temerosa de uma nova divisão de forças, e defensora da cultura e de práticas anti-democráticas que têm prevalecido nesse campus. Nosso grupo ousou se levantar contra essas práticas, apesar dos riscos de tornar pública esta situação. Nos debates desta semana, sofremos tentativas de intimidação e ataques injuriosos. Exercemos, em consequência, o nosso direito de resposta, previsto pelo regimento do processo eleitoral. A justiça e a ética estão do nosso lado. Estamos convictos que será o autoritarismo, e não a democracia, que sairá derrotado no julgamento das urnas.

O poder do agronegócio*

Publicado: 2009/10/09 em Posts
by Pedro C. Chadarevian

by Pedro C. Chadarevian

Enganam-se os que acreditam que os programas das principais formações partidárias no Brasil convirjam apenas no plano econômico. O consenso é ainda muito mais nítido a respeito do que fazer (ou seria melhor dizer: do que não fazer?) diante do criminoso processo de devastação do meio ambiente no país. Ou não seria crime o ato de burlar a lei de proteção de topos de morros e encostas para alimentar a indústria de madeira e celulose? Ou o ato de desrespeitar sistematicamente a legislação que prevê a preservação um mínimo de 20% de matas virgens, para produzir etanol?
As monoculturas de cana e eucalipto constituem um vasto deserto verde. Avançam sobre regiões há até pouco tempo cobertas de mata atlântica, cerrado e auraucária. Têm a complacência dos governos federal e estaduais, e beneficiam de um status supostamente ecológico. Ora, o álcool para “limpar” o ar poluído das cidades, devasta a biodiversidade do cerrado e da caatinga. E as madeiras de reflorestamento (sic), ameaçam nosso suprimento futuro de água potável.
Enquanto o saldo da balança comercial e o lucro das grandes corporações for colocado acima do bem-estar da maioria, o meio-ambiente continuará a ser visto como empecilho ao desenvolvimento.

(* A foto que ilustra o post é da placa situada à entrada da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo.)

Que alternativa de esquerda?

Publicado: 2009/09/14 em Posts

by Pedro C. Chadarevian

by Pedro C. Chadarevian

Situação inédita esta no cenário político nacional. Desde a redemocratização sempre houve um candidato capaz de aglutinar o eleitorado com um discurso abertamente de esquerda. Esquerda clássica, social-democrata. Cujo programa sustenta reformas radicais em prol da classe trabalhadora. Objetivo prioritário: reduzir drasticamente as injustiças e as desigualdades. Distribuindo renda, riqueza e terras. Projeto que, desde 2003, deixou de ser o objetivo do partido no poder. Em 2010, corre-se assim o risco de uma polarização insossa, entre PT e PSDB, sem alternativa concreta nesse espectro da esquerda. Marina apenas cumprirá tabela. Para legitimar o processo eleitoral “democrático”, e passar a imagem de liberdade de escolha. Candidatura verde que, aliás, estranhamente encanta a imprensa empresarial. Desconhece-se na nossa história política uma capa de revista conservadora com destaque positivo para um programa progressista. Quanto tempo mais se tardará em perceber, inclusive na esquerda, que o PV ainda não está maduro o suficiente para questionar o establishment, o capital financeiro e menos ainda o grave processo de devastação ambiental em nosso país?

Reteorizando as multinacionais

Publicado: 2009/08/23 em Imprensa
by Pedro C. Chadarevian

by Pedro C. Chadarevian

A necessidade de controle das multinacionais é uma reivindicação que tem sido, até o momento, debatida apenas no interior de movimentos sociais. Um olhar mais aprofundado sobre o seu funcionamento recente, revela inconsistências e contradições na capacidade do capital transnacional de gerir de forma eficiente os diferentes mercados. Crises cíclicas, concentração de poder, miséria e desigualdade, desemprego crônico. São problemas que denotam a falência do modelo neoliberal que prega a liberalização de mercados, com a consequente transferência do controle de novos segmentos produtivos ao capital transnacional. O que aponta para um argumento econômico, além do político, para se questionar a estranha liberdade que gozam as grandes corporações ao redor do planeta. Celso Furtado já alertava de forma precoce, em 1975, para a influência do poder das transnacionais na reorientação dos modelos de desenvolvimento latino-americanos à época. E questionava, de forma irônica, a impossibilidade de analisar o desenvolvimento deste poder paralelo por meio da teoria da firma neoclássica. A Economia Política do capital transnacional contemporâneo continua sendo uma tarefa da ordem do dia. Neste sentido vale destacar o recente ensaio do economista colombiano, radicado no Brasil, Héctor Mondragón. Em seu “A estratégia do império”, que pode ser baixado na íntegra mais abaixo, destaca: a propriedade dos grupos monopolistas do capital transnacional se globaliza por intermédio da acumulação por expropriação, que exige o reconhecimento de seu direito de saquear os recursos de qualquer país, seu direito de assegurar rendimentos máximos para os investimentos, o direito de explorar os trabalhadores, em suma, “direitos” consagrados e sacramentados sob o título de “liberdade econômica”. Leitura recomendada para sair do marasmo dos analistas tradicionais.

Para baixar o arquivo: mondragon2009b

Para entender a economia colombiana

Publicado: 2009/07/15 em Posts
by Pedro C. Chadarevian

by Pedro C. Chadarevian

Há dez anos, em setembro de 1999, tombava assassinado um dos maiores economistas colombianos. Nos corredores da Universidad Nacional, interrompia-se de forma brutal a carreira de Jesús Antonio “Chucho” Bejarano. Além de importante articulador do processo de paz na Colômbia, Chucho se consagrou como intérprete fundamental da história econômica de seu país. É leitura indispensável para se entender o desenvolvimento desigual do capitalismo na América Latina. Tal como o Brasil, a Colômbia parte de um ciclo mineiro com mão-de-obra negra escrava na era colonial, para um ciclo cafeeiro no início do século XX. Porém, com Bejarano aprendemos que lá a violência foi sempre um fator desestruturador da economia. Daí seu atraso na industrialização em relação a México, Argentina e Brasil. A instabilidade política: esse mal que impregna a sociedade colombiana, e contra o qual Chucho morreu lutando.

by Pedro C. Chadarevian

by Pedro C. Chadarevian

Curiosa a reação de setores da imprensa brasileira diante do golpe militar em Honduras. Posição que praticamente isola nosso jornalismo empresarial diante do rechaço incondicional ao redor do planeta. Evidente, ninguém por aqui apóia abertamente generais que dão fim a regimes democráticos. Os tempos são outros. As lições do abril de 2002 na Venezuela parecem assimiladas. Disfarçadamente, porém, transmite-se a mensagem do castigo merecido. O motivo: o sinal de apoio do governo hondurenho a um projeto de transformação social e redistribuição de renda. Aliás, como boa parte dos ensaios progressistas latino-americanos dos últimos 45 anos, mais um esbarra na reação conservadora. Nunca é demais perguntar: até quando?

by Pedro C. Chadarevian

by Pedro C. Chadarevian

Em 2009 comemora-se os 70 anos de uma interpretação clássica dos problemas econômicos de nosso país, A Evolução Industrial do Brasil. O autor, Roberto C. Simonsen, produziu uma análise econômica precursora e articulada do atraso em nosso processo de desenvolvimento. Militou pela causa da industrialização em um contexto de declínio da conservadora aristocracia cafeeira. Representou os interesses de sua classe, a burguesia industrial ascendente, chamando sempre a atenção para a necessidade de participação ativa do Estado em nossa evolução econômica. As ruínas do centro velho de Santos, que ele ajudou a construir, são a demonstração viva do abandono daquele projeto de superação de nossa dependência econômica pela via de um modelo de desenvolvimento autônomo e nacional.

As raízes ideológicas da crise

Publicado: 2009/04/12 em Imprensa
by Pedro C. Chadarevian

by Pedro C. Chadarevian

A crise global, desde fins de 2008, estremece mercados financeiros, arruína grandes corporações e desestabiliza economias ao redor do globo. Em pouco tempo de sua aterrissagem no Brasil, provocou um recuo de dez anos no nível de emprego, anulando um longo período de bonança econômica. A especulação, algoz preferido na análise da crise dos economistas do mercado, colabora, sem sombra de dúvidas, para a reversão do ciclo virtuoso dos anos 2000. Contudo, é preciso descer em profundidade para compreender a pior conjuntura econômica dos últimos 35 anos, sob o risco de se deixar levar pelas aparências.

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Governantes brasileiros precisam migrar da busca da eficiência a qualquer preço para a busca da promoção do desenvolvimento.
Por Pedro C. Chadarevian, para o Valor, de São Paulo.

by Artur Lopes

by Artur Lopes

É praticamente irresistível comparar a atual onda de desemprego
e recessão que se abate sobre o mundo desenvolvido, atingindo-nos também com surpreendente força, com a crise de 1929. Outro exercício interessante é mirar nas crises dos anos 70, que representaram o fim de um modelo de desenvolvimento inaugurado precisamente como resposta à Grande Depressão de 1929.

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