Um Estado “antissocial”?
Livro de Adalberto Cardoso traz contribuição importante para o estudo das desigualdades, mas ignora papel da elite.
Por Pedro C. Chadarevian, para o Valor, de São Paulo
A Sociologia vem, nos últimos anos, conquistando terreno em um campo de análise habitualmente dominado por economistas no Brasil: os estudos da pobreza e da desigualdade. O primeiro ato deste movimento foi a incorporação de técnicas próprias à Economia por parte de autores da chamada sociologia econômica, como a econometria e o recurso ao individualismo metodológico. Mais recentemente, é na perda de credibilidade dos prognósticos de economistas do paradigma dominante que se deve buscar a explicação para esta renovação do interesse pela interpretação sociológica dos fenômenos ligados à distribuição do excedente produtivo. É neste contexto epistemológico que se insere o mais novo livro de Adalberto Cardoso, pesquisador do prestigiado Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), organismo ainda há pouco vinculado à Universidade Cândido Mendes, e atualmente abrigado na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). A empreitada é ambiciosa: brindar ao público acadêmico uma interpretação global da evolução da percepção social da desigualdade no Brasil nos últimos 150 anos. O resultado fica, porém, aquém das expectativas do leitor, que, no entanto, poderá se entusiasmar ao folhear especialmente a introdução.
