A Universidade pública, livre de interesses egoístas, escusos, e da dominação de grupos que se impõem pela ameaça de sua autoridade, é um sonho ainda distante no Brasil. O que não deve abalar aqueles que lutam pela sua independência, pela excelência na formação e pela participação efetivamente democrática do conjunto dos membros da comunidade acadêmica. É na defesa destas bandeiras, e apesar de interesses poderosos ali constituídos, que aceitei o desafio de me lançar ao cargo de vice-diretor na UFSCar-Sorocaba. O processo sucessório, em andamento no momento em que escrevo, tem se pautado, infelizmente, pela postura antiética de uma minoria temerosa de uma nova divisão de forças, e defensora da cultura e de práticas anti-democráticas que têm prevalecido nesse campus. Nosso grupo ousou se levantar contra essas práticas, apesar dos riscos de tornar pública esta situação. Nos debates desta semana, sofremos tentativas de intimidação e ataques injuriosos. Exercemos, em consequência, o nosso direito de resposta, previsto pelo regimento do processo eleitoral. A justiça e a ética estão do nosso lado. Estamos convictos que será o autoritarismo, e não a democracia, que sairá derrotado no julgamento das urnas.
Uma semana triste na história da Universidade brasileira
Postado em Crítica ilustrada em novembro 21, 2009 por pedrochadarevianO poder do agronegócio*
Postado em Crítica ilustrada em outubro 9, 2009 por pedrochadarevianEnganam-se os que acreditam que os programas das principais formações partidárias no Brasil convirjam apenas no plano econômico. O consenso é ainda muito mais nítido a respeito do que fazer (ou seria melhor dizer: do que não fazer?) diante do criminoso processo de devastação do meio ambiente no país. Ou não seria crime o ato de burlar a lei de proteção de topos de morros e encostas para alimentar a indústria de madeira e celulose? Ou o ato de desrespeitar sistematicamente a legislação que prevê a preservação um mínimo de 20% de matas virgens, para produzir etanol?
As monoculturas de cana e eucalipto constituem um vasto deserto verde. Avançam sobre regiões há até pouco tempo cobertas de mata atlântica, cerrado e auraucária. Têm a complacência dos governos federal e estaduais, e beneficiam de um status supostamente ecológico. Ora, o álcool para “limpar” o ar poluído das cidades, devasta a biodiversidade do cerrado e da caatinga. E as madeiras de reflorestamento (sic), ameaçam nosso suprimento futuro de água potável.
Enquanto o saldo da balança comercial e o lucro das grandes corporações for colocado acima do bem-estar da maioria, o meio-ambiente continuará a ser visto como empecilho ao desenvolvimento.
(* A foto que ilustra o post é da placa situada à entrada da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo.)
Que alternativa de esquerda?
Postado em Crítica ilustrada em setembro 14, 2009 por pedrochadarevianReteorizando as multinacionais
Postado em Idéias em agosto 23, 2009 por pedrochadarevianA necessidade de controle das multinacionais é uma reivindicação que tem sido, até o momento, debatida apenas no interior de movimentos sociais. Um olhar mais aprofundado sobre o seu funcionamento recente, revela inconsistências e contradições na capacidade do capital transnacional de gerir de forma eficiente os diferentes mercados. Crises cíclicas, concentração de poder, miséria e desigualdade, desemprego crônico. São problemas que denotam a falência do modelo neoliberal que prega a liberalização de mercados, com a consequente transferência do controle de novos segmentos produtivos ao capital transnacional. O que aponta para um argumento econômico, além do político, para se questionar a estranha liberdade que gozam as grandes corporações ao redor do planeta. Celso Furtado já alertava de forma precoce, em 1975, para a influência do poder das transnacionais na reorientação dos modelos de desenvolvimento latino-americanos à época. E questionava, de forma irônica, a impossibilidade de analisar o desenvolvimento deste poder paralelo por meio da teoria da firma neoclássica. A Economia Política do capital transnacional contemporâneo continua sendo uma tarefa da ordem do dia. Neste sentido vale destacar o recente ensaio do economista colombiano, radicado no Brasil, Héctor Mondragón. Em seu “A estratégia do império”, que pode ser baixado na íntegra mais abaixo, destaca: a propriedade dos grupos monopolistas do capital transnacional se globaliza por intermédio da acumulação por expropriação, que exige o reconhecimento de seu direito de saquear os recursos de qualquer país, seu direito de assegurar rendimentos máximos para os investimentos, o direito de explorar os trabalhadores, em suma, “direitos” consagrados e sacramentados sob o título de “liberdade econômica”. Leitura recomendada para sair do marasmo dos analistas tradicionais.
Para baixar o arquivo: mondragon2009b
O assalto do Estado
Postado em Crítica ilustrada em julho 29, 2009 por pedrochadarevianA cada dia que passa, o mercado ganha terreno sobre o Estado no Brasil. Às vezes, de forma aberta, violenta. Como no estranho processo de privatizações dos anos noventa. Às vezes, sorrateiramente. Por meio de concessões e terceirizações. Para o deleite do setor privado. Caminhando por São Paulo, é possível passar quilômetros sem sentir a presença do poder público. Praças sob administração privada, seguranças armados particulares rondando a cidade, iluminação de rua fornecida por condomínios privados. Merenda das escolas públicas, rodovias e a expansão do metrô: “sob concessão”. Serviços de comunicação, transporte, educação e saúde: privatizados. Este assalto do Estado foi planejado. Sua execução acelerou-se com a eleição de Collor de Melo. O argumento apoiou-se na teoria econômica neoclássica, e é conhecido de todos nós: o mercado é mais eficiente para alocar os recursos do que o setor público. Eficiência questionável, a se julgar pelo caos em que continuamos a viver. E pelo fosso que continua a nos separar dos países desenvolvidos. Aceitamos lucro em detrimento de bem-estar. E, como se não bastasse, o Congresso também foi arrendado pelo braço corrupto dos interesses privados. Nessa grande empresa chamada Brasil, será o nosso destino ser governados por executivos de multinacionais?
Para entender a economia colombiana
Postado em Crítica ilustrada em julho 15, 2009 por pedrochadarevianHá dez anos, em setembro de 1999, tombava assassinado um dos maiores economistas colombianos. Nos corredores da Universidad Nacional, interrompia-se de forma brutal a carreira de Jesús Antonio “Chucho” Bejarano. Além de importante articulador do processo de paz na Colômbia, Chucho se consagrou como intérprete fundamental da história econômica de seu país. É leitura indispensável para se entender o desenvolvimento desigual do capitalismo na América Latina. Tal como o Brasil, a Colômbia parte de um ciclo mineiro com mão-de-obra negra escrava na era colonial, para um ciclo cafeeiro no início do século XX. Porém, com Bejarano aprendemos que lá a violência foi sempre um fator desestruturador da economia. Daí seu atraso na industrialização em relação a México, Argentina e Brasil. A instabilidade política: esse mal que impregna a sociedade colombiana, e contra o qual Chucho morreu lutando.
Honduras e o saudosismo autoritário no Brasil
Postado em Crítica ilustrada em junho 30, 2009 por pedrochadarevianCuriosa a reação de setores da imprensa brasileira diante do golpe militar em Honduras. Posição que praticamente isola nosso jornalismo empresarial diante do rechaço incondicional ao redor do planeta. Evidente, ninguém por aqui apóia abertamente generais que dão fim a regimes democráticos. Os tempos são outros. As lições do abril de 2002 na Venezuela parecem assimiladas. Disfarçadamente, porém, transmite-se a mensagem do castigo merecido. O motivo: o sinal de apoio do governo hondurenho a um projeto de transformação social e redistribuição de renda. Aliás, como boa parte dos ensaios progressistas latino-americanos dos últimos 45 anos, mais um esbarra na reação conservadora. Nunca é demais perguntar: até quando?
O discreto charme da burguesia industrial
Postado em Crítica ilustrada em junho 9, 2009 por pedrochadarevianEm 2009 comemora-se os 70 anos de uma interpretação clássica dos problemas econômicos de nosso país, A Evolução Industrial do Brasil. O autor, Roberto C. Simonsen, produziu uma análise econômica precursora e articulada do atraso em nosso processo de desenvolvimento. Militou pela causa da industrialização em um contexto de declínio da conservadora aristocracia cafeeira. Representou os interesses de sua classe, a burguesia industrial ascendente, chamando sempre a atenção para a necessidade de participação ativa do Estado em nossa evolução econômica. As ruínas do centro velho de Santos, que ele ajudou a construir, são a demonstração viva do abandono daquele projeto de superação de nossa dependência econômica pela via de um modelo de desenvolvimento autônomo e nacional.
As raízes ideológicas da crise
Postado em Idéias em abril 12, 2009 por pedrochadarevianA crise global, desde fins de 2008, estremece mercados financeiros, arruína grandes corporações e desestabiliza economias ao redor do globo. Em pouco tempo de sua aterrissagem no Brasil, provocou um recuo de dez anos no nível de emprego, anulando um longo período de bonança econômica. A especulação, algoz preferido na análise da crise dos economistas do mercado, colabora, sem sombra de dúvidas, para a reversão do ciclo virtuoso dos anos 2000. Contudo, é preciso descer em profundidade para compreender a pior conjuntura econômica dos últimos 35 anos, sob o risco de se deixar levar pelas aparências.
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A indecisão que freia o bem-estar
Postado em Idéias em março 4, 2009 por pedrochadarevianGovernantes brasileiros precisam migrar da busca da eficiência a qualquer preço para a busca da promoção do desenvolvimento.
Por Pedro C. Chadarevian, para o Valor, de São Paulo.
É praticamente irresistível comparar a atual onda de desemprego
e recessão que se abate sobre o mundo desenvolvido, atingindo-nos também com surpreendente força, com a crise de 1929. Outro exercício interessante é mirar nas crises dos anos 70, que representaram o fim de um modelo de desenvolvimento inaugurado precisamente como resposta à Grande Depressão de 1929.
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